segunda-feira, 26 de julho de 2010

Homecoming


Ela me atropelou, ela me seqüestrou, me sedou, me quebrou, me torturou, me jogou, me bateu, me feriu, ela quase me matou.

Eu não agüentava mais sufocar o grito na minha garganta, eu tentei me libertar mas aquela garota parecia ter o demônio no corpo.

Talvez ela só estivesse perdida já que sua alma ficou cansada de sofrer e a deixou sozinha naquela casa fria, assim como ele também fez.

Afinal quem pode culpa-la? O amor deixa nos deixa insanos e todos nós somos movidos por emoções, cabe a cada um escolher quem vai escutar, o bem ou o mal.

Quando eu tive a chance e consegui me soltar eu poderia ter-la deixado viver porém o ódio que ela conservou em meu coração não me permitiu tamanha bondade, somos todos humanos mas acredite que eu não me surpreenderia se ela voltasse.

Mesmo deitada ensangüentada no chão sua pele branca e seus cabelos loiros continuavam belos e refletindo a maldade.

Eu fui má também apesar de não me orgulhar disso, ao contrário da garota que parecia não se importar com aquele sentimento, tudo aquilo lhe dava poder para continuar em busca da sua alma perdida, mas me desculpe, eu tive que fazer ela parar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Não basta sobreviver.

Eu me sentei à mesa para o jantar e enquanto isso continuei pensando em todas aquelas más notícias que eu recebi sobre você, nada nunca funciona como eu espero, eu me sinto tão desapontada e raivosa.

Com todas aquelas palavras girando em minha mente eu volto por um segundo ao mundo real e percebo que estou quase despedaçando a pizza e quebrando o prato.

Algumas coisas simplesmente precisam acabar. Não basta sobreviver, é necessário sanidade.

sábado, 10 de julho de 2010

Um copo azul



Eu estou tão cansada disso. Você já se irritou tanto porque não conseguia parar de pensar? Ultimamente essa é a única coisa que eu faço, eu penso e logo percebo o quanto tudo está errado, o quanto nada faz sentido. Uma comparação desigual, certo?
Sentei no chão da cozinha e tentei não pensar em nada mas em poucos segundos o plano já falhou. Me dirigi até a sala e tentei prestar atenção no filme que meu pai estava assistindo e nem isso conseguiu me entreter, eu comecei a analisar e percebi o quanto o filme era idiota. Por que as pessoas assistem esse tipo de lixo?
O próximo passo então foi lavar a louça, sim, eu que sempre odiei essa tarefa à fiz sem necessidade e sem obrigação e enquanto lavava tentava me concentrar somente naquilo, me concentrei tanto que até comecei a enjoar do azul do copo e reparei o quanto havia dessa cor naquela cozinha, certo, desisti novamente.
Logo após resolvi fazer um miojo mesmo sabendo que não estava com fome alguma apesar de ter passado a tarde inteira sem me alimentar e depois de terminar de preparar tive que jogar metade fora, que disperdício.
Quer saber? Desisti também de tentar não pensar afinal aqui estou escrevendo para desabafar todos esses pensamentos aprisionados, preciso de uma nova distração, o que mais posso fazer?

terça-feira, 6 de julho de 2010

I don't belong




Férias. Eu me dou conta que meio ano já passou mas não me lembro de ter feito nada, sem grandes memórias.

Paredes amarelas, a cor do apartamento começa a me irritar.

Penso em sair, pego o celular e tento ligar pra alguém, ninguém está disponível, a solidão é a única companhia.

Os planos para te ver acabam em nada, há, como se isso fosse novidade.

Um surto de nostalgia me leva a arrumar as malas e querer ir para outro lugar pelo simples fato de não deixar o meu orgulho ferido por não fazer nada já que não estou com você.

Pra onde ir? Eu ainda tenho uma casa e amigos? Para o interior..

Primeiro fico um pouco ansiosa, vou passar em uma cidade vizinha ver uns amigos e fazer coisas que meus pais não gostariam. No primeiro dia isso já não me satisfaz, o passado não me satifaz mais e o problema é que o presente também não.

Resolvo ir pro meu antigo lar e eu ainda me pergunto por que diabos faço isso comigo.

Primeiro sentimento ao entrar no ônibus, nenhum. Isso mesmo. Ao quase chegar um leve sentimento de arrependimento, ao chegar arrependimento certo e irritação.

Chego em casa e abro a porta, as coisas do meu pai jogadas pela casa, ele também não tem mais companhia e olhando esse lugar eu nem sei como ele sobrevive.

Faço um tour, visito os quartos, sacadas e banheiro, tudo quieto, até que enfim ela chegou, bela e triunfante, bem vinda tristeza, você mais uma vez por aqui¿

Em todo lugar desse apartamento os fantasmas do passado gritam para mim. Por que eu deixei tudo passar?

Me deixe ir embora, eu não pertenço mais aqui.